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Inaugurado no final de 2006, o Museu do Fundador é o novo espaço da CORTICEIRA AMORIM. Criado no emblemático edifício das primeiras instalações do negócio da família, em Santa Maria de Lamas, denominado “Palheiro da Eira”, o Museu é um núcleo de encontro e cruzamento entre a história da cortiça e a da família Amorim. Numa homenagem ao fundador, António Alves de Amorim, aos seus sucessores e às pessoas que viveram em prol do sector da cortiça, o Museu do Fundador recuperou todos os elementos que constituem o espólio patrimonial desta indústria: suportes escritos, documentos históricos, fotografias, painéis ilustrativos, ferramentas e utensílios de trabalho e outros objectos de interesse.
Entre os vários objectos expostos no Museu, ocupa um lugar de destaque uma ânfora datada de 200 anos a.C., descoberta no estatuário do Sado. Este objecto, que remete a utilização da rolha de cortiça para tempos remotos, tem para esta indústria um grande simbolismo histórico. Há evidências da utilização de rolhas de cortiça por Egípcios do terceiro milénio a.C.. Na Grécia foi descoberta uma ânfora com um vedante de cortiça, do século V a. C., numa ágora de Atenas. Ânforas com rolhas de cortiça foram também encontradas nas escavações em Pompeia. Em 1952, Cousteau recuperou, das profundezas das águas italianas, 7000 ânforas com cerca de 2200 anos, algumas delas ainda rolhadas e contendo vinho. A cortiça é igualmente mencionada em odes, versos e importantes obras escritas, de diferentes épocas, uma matéria-prima com características únicas, aplicada para diversos fins.
No século XVII, com o transporte de vinhos em franco crescimento, a cortiça conquistou um confortável estatuto, impulsionada pelo Monge Beneditino D. Pérignon, Mestre Dispenseiro da Abadia de Hautvilliers. D. Pérignon estava insatisfeito porque as cavilhas de madeira com cânhamo, utilizadas como vedantes das garrafas, saltavam com frequência. Ao constatar que os vinhos da região de Champagne tendiam a desenvolver uma espuma natural sob pressão no interior das garrafas de vidro, e influenciado pelos peregrinos de Compostela, cujas marmitas eram vedadas com cortiça, resolveu aplicar este mesmo material nas suas garrafas. A excelente performance, fez nascer uma poderosa aliança entre a rolha de cortiça e garrafa de vidro, aperfeiçoada, também nesse século, pelas técnicas vidraceiras inglesas. Demonstrada a capacidade de preservar a qualidade do vinho, as rolhas rapidamente começaram a ser procuradas por grandes casas produtoras de vinhos, como a Ruinart e a Moët et Chandon.
No Museu do Fundador, a rolha de cortiça é, naturalmente, uma das principais protagonistas. Fotografias, ferramentas e utensílios de trabalho permitem acompanhar o processo produtivo, desde a matéria prima até à fabricação da rolha, numa perspectiva de evolução das técnicas de produção até à época actual.
Inicialmente, as rolhas eram produzidas a partir de quadros (paralelepípedos de cortiça), que tinham já o comprimento final da rolha. Estas rolhas denominavam-se de “imitação” e eram obtidas através de um corte circular, realizado com o auxílio de uma faca apelidada de «burro».
A primeira máquina industrial de produção de rolhas, do início do século XX. O paralelepípedo de cortiça era colocado numa maxila que, com uma leve pressão, fazia um “sem-fim” rodar o quadro de cortiça contra uma lâmina afiada, produzindo rolhas totalmente cilíndricas.
A alusão a uma pilha de cortiça marca o ambiente, a par de utensílios de trabalho característicos como a Machada, o Coxo, a Broca Manual e de artefactos como Tarros, Bacias e pequenos exemplos do espólio do início da actividade da Amorim & Irmãos, como livros de cento, malgas do refeitório, fotografias dos fundadores e de muitos outros pormenores.
A par da sua vertente histórica, o Museu do Fundador é tem uma sala ampla, um espaço de encontro, equipado com os meios audiovisuais necessários para a realização de conferências, reuniões e outros eventos, de apoio às várias unidades de negócio da cortiça.
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